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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

ÌYÁMÍ ÒSÒRÒNGÀ
       
     

Ìyámì Òsòròngá, energia ancestral feminina, cultuada por uma sociedade de mulheres.  A sociedade de mães ou Ìyámì, é o conselho de mulheres idosas da aldeia, que é composto por iniciadas de Òşún, Yemojá e Oya, tendo Òşún normalmente como a líder.  O conselho de anciãs adoram o espírito do ar, que é uma força masculina expansiva e que tem como seu mensageiro: o pássaro.
A sociedade Òsòròngá congrega as àjé – feiticeiras.  Alguns itan de Ifá, ilustram que Ìyàmì tem o poder de se transformar em pássaros - èhurù, eluùlú, àtióro, àgbìgbò e òsòròngà, este  último refere-se  ao próprio nome da Sociedade.  Eles empoleiram-se em algumas árvores como o Iroko.  Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos. 

São detentoras de grande poder, consideradas as donas da barriga.  Ninguém pode com seus Ebó , são propiciadoras da alteração do destino de uma pessoa. Seus poderes são tamanhos que só se consegue, no máximo, apaziguá-las, vence-las jamais.  Quando se pronuncia o nome de Ìyámì Òsòròngá quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois esse é um temível Òríşá, a quem se deve respeito completo.

Toda mulher é uma Ajé , Ìyámì representa os poderes místicos da mulher no seu aspecto mais perigoso.  São as mães em cólera, que sem a sua boa vontade, a vida na terra não teria continuidade.
Ìyámì simboliza o princípio feminino, sendo responsável por todo o poder das mulheres, são as grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio da formação do Universo.   
Sem o poder feminino, sem o princípio de criação, não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade.  Assim, a mulher é o princípio da criação e preservação do mundo.  Sem a mulher não existe vida, e por esse motivo deve ser reverenciada e respeitada.  A mulher está diretamente ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar vida.  A mulher é vista como o útero fecundado, a cabaça que contém a vida, a responsável pela continuidade da espécie e pela sobrevivência da comunidade.
A mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. Todas as mulheres e todas as Divindades femininas, principalmente Òsún, Yemojá, Oya e Nanã, possuem uma grande ligação com Ìyàmì.

O culto à Ìyàmì sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito.   Ìyàmì é tida como a perigosa feiticeira, por isso recebe o nome de Ajé (feiticeira).  O medo e o respeito acerca dessa divindade são tão significativos que, o seu principal nome, Òsòròngá, quase nunca é pronunciado.
O poder de Ìyàmì é intangível e desmedido, ela é sem dúvida, uma das Divindades mais poderosas e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a elas.   Ìyàmì é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário.  Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàmì, no entanto, não podemos deixar de recordar que Ìyàmì, é também, o princípio gerador feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina. 

Muito embora, grande parte do culto de Ìyàmì seja destinado às mulheres, existem os Oso, que são homens feiticeiros, mas infinitamente menos violentos e cruéis que as Àjé.  Eles participam do culto, onde, em forma de submissão total as mulheres e ao seu poder, prestam reverência e homenagens à Ìyàmì. 
Trazidas ao mundo pelo odú Osá Méjì, as Ajé, juntamente com o odú Òyèkú Méjì, formam o grande perigo da noite.
O objetivo da sociedade, que antes era exacerbar a maldade existente no poder feiticeiro de Ìyámì, modificou-se e as danças, os cânticos e as oferendas feitas em sua homenagem, visam, a aplacar a sua cólera ao em vez de incentivá-la."
No país Yorubá, as atividades das feiticeiras – Àjé – estão ligadas às das divindades, Òríşá, e aos mitos da criação.  As Àjé são um dos pilares essenciais da sociedade, porém evita-se maldizê-las abertamente, pois se acredita que possuam uma força agressiva e perigosa.
Elas escolhem entre si, uma Ìyálóde (Erelú/Ògbóni), a mulher que dirige as mulheres em uma aldeia Yorubá.  A Ìyálóde coloca o pássaro dentro da cabaça, a cobre e a entrega a mulher que quer obter o poder de Àjé.  Este pássaro é enviado em missão, cada vez que a Àjé quiser combater alguém.
Elas estão diretamente ligadas a Sociedade Ogboni.  Ogboni foi fundada para estabelecer a ordem e a paz em território Yorubá, com isso, o papel das Ìyámì, é justamente fazer esse controle entre os seres humanos.  Aquele que não estiver cumprindo o juramento feito, de lealdade, fraternidade, caráter reto; é com Ìyámì que deverá prestar contas, ela faz esse controle e cobra os tributos.







Trabalho de pesquisa a vários autores:

Adaptado por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá (Fatima Gilvaz)

- Willian Bascon
- Wande Abimbola
- F. Fatunmbi
- Pierre Verger
- Oba Kaloje
- Efunlase
- Consciência Negra
- Vários sites sobre o assunto




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2 comentários:

  1. Mo juba Erelú Iya Osún Funké,
    Aboru, Aboye Iyanifá Fun Mi Lolá.

    Obrigado pelas palavras que remete-nos a uma profunda reflexão.
    O por que de se manter o silêncio dentro do Templo, a importância do Templo no eixo ser humano-divindade.
    Enfim, temos uma gama de pontos a serem refletidos e colocados em prática, sempre.

    Adupe pupo Iya.
    Ire aikú, ire Ori ajè,

    Odé Ợlaigbo

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    Respostas
    1. Agbo ato !
      Ase! Estar no Templo, é estar em contato com o Sagrado, com o alto.

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