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sábado, 18 de março de 2017

ÁGUAS DE OBÀTÁLÁ


Águas de Obàtálá, complexo e misterioso, é um dos rituais mais respeitados e tradicionais.
Esse ritual anual é de purificação e de renovação, pode ser considerado um “rito de passagem”, o fim e o começo, um novo ciclo.  Reverencia a água, que é fonte primordial da vida, que se apresenta em todos os rituais da Religião dos Òrìsá, e é enobrecida no ritual de Orisan’lá.

Obàtálá representa a pureza, é o Rei do Imaculado, o Rei do Branco, não existirá outra cor no ritual das Águas se não, o “Branco,” dentro do templo e a todos que lá chegarem, a retidão e o silêncio tomarão conta do Àse, tudo deverá estar limpo e devidamente cuidado.

É o inicio de um novo ano.  Onde deixamos para trás as tristezas e dificuldades.  Para isso é feita a lavagem de tudo no Àse e em nossa vida, para começarmos uma nova etapa, um novo ano, um novo ciclo, de prosperidade e conquistas.
Tudo é lavado com ervas,flores e essências, para que seja purificado, tudo é feito com adoração, reverência e respeito.

Obàtálá, Rei do pano branco, do sagrado, da pureza; representa a moralidade espiritual.  Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas.
Detém os segredos da criação e toda a magia que envolve a vida e a morte.
É um ritual envolto em muita magia, conexão e elevação espiritual.

Trata-se de um ritual de extremo respeito e adoração ao Rei do pano branco "Obàtálá ".

Conta um Itan:

"Obàtálá devia ir na terra de Oyó visitar seu filho Sango. Antes, porém, consultou Ifá para saber se tudo correria bem durante a viagem.  Obàtálá foi aconselhado a não negar nada a ninguém que lhe pedisse algo e mais ainda que levasse consigo sabão da costa, obi e três roupas brancas.
Seguindo caminho, encontrou por 03 (três) vezes Esu; que lhe pediu sucessivamente para ajudá-lo a carregar na cabeça uma barrica de azeite de dendê, uma carga de carvão e outra de óleo de amêndoas.  As três vezes, Esu derramou o conteúdo sobre Obàtálá.  Mas este sem se queixar, lavou-se e trocou as três mudas de roupas e continuou a viagem.
Obàtálá havia dado de presente a Sango um cavalo branco, o qual havia desaparecido do reinado fazia bastante tempo.  Os escravos de Sango andavam por toda parte para encontrá-lo e eis que Obàtálá passando por um milharal, apanhou algumas espigas de milho e ao mesmo tempo deparou-se com o cavalo perdido de Sango.  O cavalo também o reconheceu acompanhando-o.  Nesse instante, chegaram os escravos de Sango, gritando: "Olé Esim Obá".   Que quer dizer: ”ladrão do cavalo do rei”.
Não reconhecendo Obàtálá, deram-lhe vários golpes e em seguida jogaram-no na prisão.  Este, permaneceu 07 (sete) anos preso.  Enquanto isso no Reino de Sango tudo corria mal.   Sango preocupado consultou um Babalawo, que revelou o motivo daquilo tudo.  Disse o Babalawo a Sango: “Algum inocente paga injustamente em tuas prisões”.  Sango, então, ordenou que os prisioneiros comparecessem diante dele, reconhecendo ali seu pai.  Enviou, então, os escravos vestidos de branco até uma fonte vizinha para lava-lo, sem falar uma palavra, em sinal de tristeza, e respeito.  Depois, Sango, em sinal de humildade, carregou-o nas costas de volta até o Palácio, onde com muita alegria com o regresso de Obàtálá, ofereceu um grande banquete e festa".
OBÀTÁLÁ

Òrìsá do branco
Òrìsá da pureza
Meu Oluwo, Orisalá
Que acolhe seus filhos
Em seu Alá

Pai da criação
Que está nas nuvens brancas
Na chuva
No sol
Em toda a imensidão

Ser imaculado
Que trás o sopro da vida
Que carrega o mundo nas mãos
É Obàtálá
A quem adoro e venero
A quem me entrego com o coração

 

(Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá

Fatima Gilvaz - Miami 17/03/2017)



Trabalho de pesquisa:


- Efunlase
- Sites sobre o assunto
- Autores:
   . Ifayemi Elebuibon
   . José Beniste

 

Por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá

(Fatima Gilvaz)

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domingo, 12 de março de 2017

ÀYÀN

Resultado de imagem para tambores africanos

No contexto do culto Yorubá a percussão sacra é de grande importância, sendo fundamental para os rituais religiosos.  Nos rituais para os Òrìsá, os instrumentos mais usados são os tambores.
A força espiritual contida no tambor e que o consagra, é chamado de Àyàn ou “Àyon”, o Òrìsá do tambor.  Àyàn representa a expressão sonora das divindades; e o tambor serve como depositário dos poderes divinos e é o veículo que Ihe dá voz.  A consagração de Àyàn no tambor é feita por meio de ritual e elementos litúrgicos sagrados, que ficam dentro do tambor, que é selado hermeticamente com as peles de animais.   Quando Àyàn é fixado no tambor é chamado de “Eleekoto”. 
As religiões de matriz africana há tempos vêm resgatando alguns elementos que ficaram esquecidos e Àyàn, o Òrìsá do tambor, é um desses elementos.
Os tambores sagrados são tratados como criaturas viventes, que devem ter cuidados específicos e uma variedade de regras para o seu uso.
Para que alguém possa ser iniciado para Àyàn e tocar o tambor sagrado, deve cumprir rígidos rituais, tornando-se assim, um Onilú. 
A preparação dos Onilus , que são pessoas especiais para a liturgia das religiões Africanas, é feita através de rituais religiosos e iniciação.  Os Onilus são os responsáveis pelos tambores, e por sua conexão com Òrìsá Àyàn.
Essa tradição é mantida na Nigéria, em terras Yorubá.  O iniciado recebe a força espiritual necessária para tocar os tambores da forma correta, para que estes possam “falar” com os Òrìsá, chamando-os para as cerimônias a eles dedicadas.
É necessário estabelecer uma distinção: uma coisa são os tambores pagãos, destinados apenas a fazer música. Outra bem diferente são os tambores consagrados, sacralizados através de uma série de rituais que os transformam em instrumentos de comunicação com os deuses, tornando-se assim, o assentamento do Òrìsá Àyàn. Os tambores consagrados são maravilhas singulares de concatenação musical de ritmos tão belos quanto complexos.
ÀYÀN representa a expressão sonora das divindades; é o som do cosmos, do universo e tem o tambor que serve como depositário dos poderes divinos.
Diz um Itan da divindade ÀYÀN, que Olódùmarè (o Deus Supremo) o chama para aprender o poder de cada Òrìşá, para ensinar os homens a louvá-los através do canto, da dança e dos ritmos sagrados.
Na verdade o próprio instrumento, o tambor, é considerado como a veste material de um espírito e diz o Itan, que cada tambor possui seu espírito elemental, que se materializa dentro dos mesmos durante as cerimônias para que o rito tenha prosseguimento segundo a egrégora do templo, de acordo com o Òrìşá regente da casa.
Os tambores sagrados foram introduzidos e desenvolvidos na terra dos Yorubá, há aproximadamente 800 anos.  O som dos tambores sobreviveu por mais de 500 anos, viajando da Terra Yorubá para o “Novo Mundo” e mantendo sua tradição nos Cultos de Nação Africana.  Sua história é um testemunho do poder e profundidade da religião e cultura Yorubá.
Assim, os tambores possuem o poder de chamar não apenas a força do Òrìşá para dentro dos templos, mas também para invocar a presença de ancestrais ilustres e de outras personalidades do mundo astral, que nos cultos de nação africana são conhecidos como Egungum.
O toque do tambor revela a arte de conectar-se com a Mãe Terra e com nosso Eu Interior, sintonizando nosso coração ao coração dela, e de viajar ao mundo do invisível, constatando nossa ancestralidade e todos os reinos da Natureza.
Alguns historiadores e antropólogos do século XX destacaram a idéia de que a maneira utilizada para se chegar aos conhecimentos místicos em religiões primitivas esteve sempre associada ao êxtase (o transe) provocado pelo toque do tambor.  Esse instrumento seria então o responsável pela comunicação entre o homem e as divindades.





Trabalho de pesquisa

por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá (Fatima Gilvaz)


Vários autores:

Falokun Fatunmbi
Pierre Verger
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quinta-feira, 2 de março de 2017

Ègbé Òrun


 


A sociedade das crianças do céu


Ègbé Òrun – Nossos grandes amigos e companheiros espirituais.


Ègbé Òrun são nossos companheiros espirituais, que viveram conosco no mundo espiritual, de onde viemos, e se comprometeram em cuidar de nós, nos proteger e guiar-nos aqui na terra.
Eles são uma congregação de jovens e adultos (no céu), 
espiritualmente talentosos e avançados.

Todos os seres humanos têm pares no céu.  Aqueles que não têm pares no céu não podem viver na terra. 
Ègbé Òrun são entidades espirituais que nos apóiam, protegendo, dando riquezas e saúde.

É destino de algumas pessoas serem muito poderosas na Terra.  É através de Ègbé Òrun que seus aspectos positivos se manifestarão. Para algumas pessoas uma coisa pequena e insignificante se transformará em algo muito grande. 
Muitas pessoas assumem posições de liderança aqui na terra, 
isso porque, eles eram líderes de seu grupo, enquanto no céu, antes de 
nascerem.
Conseqüentemente, as posições de liderança que assumem na terra é nada 
mais que uma extensão das várias posições que ocupavam no céu.

Ègbé Òrun é uma entidade espiritual animada e que acredita nas 
pessoas.  Para eles, se você fizer uma promessa, com certeza irá 
cumprir essa promessa. 
Muitos Ègbé fazem promessas no céu, que, eventualmente, encontram 
difículdades de cumpri-las aqui na terra, devido a algum motivo. 
Ègbé Òrun, com certeza, irão insistir para que se cumpram as promessas.  
Eles vão fazer essas pessoas passarem por uma série de experiências
traumáticas, até que cumpram as promessas ou que façam todas as 
oferendas necessária através da realização de rituais.

É sempre importante que as pessoas cuidem de Ègbé Òrun.  No caso de crianças, é importantíssimo, pois problemas na infância podem estar ligados e sendo causados por Ègbé Òrun.
 
 


Trabalho de pesquisa

Adaptado por Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá (Fatima Gilvaz)


Vários autores:

Falokun Fatunmbi
Popoolla
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