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sábado, 24 de outubro de 2015

ORÍ (EU SUPERIOR) E O AMOR UNIVERSAL



Uma das divindades mais importantes na compreensão do Culto Yorubá é o Orí.   Uma pessoa sem uma cabeça é uma pessoa sem direção.  A cabeça é o primeiro a entrar no mundo na maioria dos casos,  e é o domicilio de todas as escolhas. 

A cabeça é considerada o receptáculo de idéias, opiniões, emoções e está ligada ao destino e sorte de cada pessoa.   Orí é todo Asé que uma pessoa tem.  É a sede da consciência do ser humano.  Orí Inú  é a cabeça interior, o Eu Superior, portanto, o sucesso de cada ser humano, depende única e exclusivamente de seu  equilíbrio mental e de seu caráter reto.

"A origem ou a fonte de todo Orí é o Deus Supremo – Ólodùmarè  - ou o Grande Orí, do qual todo Orí deriva, visto que ele é, na verdade, o doador de todo Orí “ .  (Escrito por AWOIFALONA) .

Ori Inú é a essência da personalidade da alma do homem e deriva diretamente de Ólodùmarè.  O Orí Inú é o ser interior, o Eu Superior, o ser espiritual do homem e é imortal.  Orí é uma divindade que tem o objetivo de servir apenas a uma pessoa à qual está ligado por força do poder de Ólodùmarè. 

Estamos ligados a Ólodùmarè por nosso Ori Inú, (Eu Superior), ele é a fonte da inteligência para a sobrevivência no Ayê (terra), e dele (Ori), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si, mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Órun(céu), portanto, Ori Inú é aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual.

Ori é a palavra em Yorubá usada para descrever a consciência.  O conceito de Ifá sobre Ori é a integração do pensamento e da emoção que gera um Orí positivo ou de sabedoria.   Ifá diz:  a pessoa que fracassa, se não fizer uso da sabedoria, se tornará fútil e inútil.

“O ponto chave de Ifá para entender o que é Ori, é a transformação pessoal.  Não é somente resolver conflitos pessoais, está também em aprender como viver em harmonia com as forças invisíveis que formam e guiam o destino do planeta”. (Inner Peace “The Ifá Concept of Ori” -  Awo Falokun Fatumbi – pag. 63 – parágrafo 2).

ORÍ INÚ - a cabeça interna, é a nossa personalidade divina, ou nosso “eu verdadeiro”, ou nosso “eu supremo ou superior”. Em resumo, nossa alma. 

O Odú Ogbè-Ègùndá, fala:     “Ìwà nikàn l´ó sòro o”   (“ Caráter é tudo o que se precisa”).

Ìwà Pèlé (caráter reto) : é o que conduzirá Orí Inú até o Òrun rere (plano espiritual dos Orisá), em caráter definitivo. Todos os Orisá têm que respeitar a vontade e o livre arbítrio de Orí.  Sem a aprovação de Orí nenhum Orisá pode fazer nada pelo seu devoto.
Orí é o Deus portador da individualidade de cada ser humano. Representa o mais íntimo de cada um, o inconsciente, o próprio sopro de vida em sua particularização para cada pessoa.  Orí mora dentro das cabeças humanas e é conhecido como aquele que pode fazer a grande viagem sem retorno.

Orí é o ponto central do culto Yorubá.  Ólodùmarè (Deus) é o criador de Orí Inú, mas mesmo assim, ele nunca desceria aqui na terra pra obrigá-lo a rezar ou obrigaria seus filhos segui-lo.  Isso depende única e exclusivamente do Orí, da escolha e do livre arbítrio.  Por isso, para o Culto Yorubá, Orí é a divindade mais importante! 

A missão maior de Orí Inú, à qual cabe ao nosso Orisá ajudar-nos, é o desenvolvimento de Ìwà Pèlé (caráter reto e bom), que é o nosso passaporte para o encontro definitivo com Ólodùmarè !

Entre os povos bini, na Nigéria, a cabeça é considerada o receptáculo das idéias, opiniões, emoções e sofrimentos do individuo, e está ligada ao destino e à sorte. 
Ori é todo o asé que uma pessoa tem.  Ela é a sede da consciência e dos principais sentidos físicos”.  

“ O homem está no mundo !  Um mundo que ele encontra ao nascer e que é uma imensidão.  Percepções, vivências, emoções, elaborações, organizações se sucedem...
A relação ele / mundo irá se estabelecer de forma natural ou provocará uma realidade de estranheza, dependendo de como se estruturou em seu processo de desenvolvimento “.  (Preciso de licença para ser eu mesmo ?  - Andrée Intrator – pag. 31 – parágrafo 1).

O Orí precisa ser trabalhado e orientado para que possamos encontrar o equilíbrio do Eu Superior (Orí Inú).  Quem nunca escorregou da luz para a escuridão e se viu impotente nas tentativas de reverter o quadro ?  Por isso precisamos estar em equilíbrio com nós mesmos, para estarmos em equilíbrio com nosso Orisá e aí estaremos em equilíbrio com a natureza e com todo o universo.



AMOR UNIVERSAL


 Quando estamos em conexão com o alto e com a natureza, abre-se um canal em nossa consciência, através do qual podemos desenvolver um contato pleno e absoluto com nosso Eu Superior (Orí).  Nesse momento, somos tomados pelo êxtase e por uma quantidade imensa de luz e um Amor puramente Universal.  Neste estado podemos entrar em contato com diversas formas de vida e de manifestações divinas.  Essa essência divina , o universo e toda a criação é composta por infinitas partículas do Criador Absoluto (Ólodùmarè), que vibram em harmonia.

A natureza, os seres, e tudo o que existe na criação, se manifesta de alguma forma e evolui dentro dos seus padrões e funções na perfeita harmonia cósmica e universal. Assim, podemos nos reconhecer como parte desta grande e maravilhosa criação, a partir do momento em que soubermos que somos também uma manifestação Divina, e que se nós existimos, é porque Deus (Ólodùmarè) existe.

O Caráter, o ego e a personalidade humana, fazem parte de um processo evolutivo, no qual o homem, precisa reconhecer-se como unidade divina, precisa desenvolver sua inteligência e seu conhecimento espiritual e aprender as leis espirituais básicas da harmonia vital e do amor universal.  Somente assim, o homem consegue o seu equilíbrio.

Para alcançarmos o equilíbrio interior, precisamos ter consciência total de nossas atitudes.  Quantos de nós admitimos nossos erros, nossas limitações, e nossas falhas ?  É chegado o momento de admitirmos todos os nossos erros perante a nós mesmos, com humildade e sinceridade.  Desta forma conseguimos vibrar em harmonia com o Universo, e no momento em que somos capazes de cuidar incondicionalmente do outro, emanando o Amor Universal, estaremos em harmonia com Deus (Ólodùmarè).

Quando nos perdermos ou entramos no negativo, abrimos portas erradas e delas saem monstros: o medo, insegurança, brigas, ódio, etc...   Mas existe uma porta, estreita, pela qual podemos nos reencontrar.  Ao abrir essa porta, tudo se iluminará. Para isso, precisamos ter a consciência de que somente o Amor pode curar, só o Amor pode orientar, somente através do Amor Universal podemos saber quem realmente somos e o que realmente queremos.  Assim, alcançamos a transformação que nos leva a harmonia com o Cosmos.

A medida em que nos transformamos, tudo e todos a nossa volta acompanhará essa transformação.  É a teia da vida!  Mas para termos essa compreensão, precisamos entender que essa teia é movida pela presença do Amor, o Amor Universal.

O Amor Universal é a manifestação do Amor puro, infinito, imparcial e sem distinções. É o amor que não julga, cuida, e é capaz de mover o Universo.
(pesquisa baseada em Leandro Pires)



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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

ONILÉ

Os antigos povos que deram origem aos atuais Yorubás, cultuavam uma entidade da Terra, a Terra-Mãe, que recebeu muitas denominações em diferentes aldeias e cidades que formam o complexo cultural Yorubá. Esta antiga divindade é até hoje cultuada e recebe o nome de Onilé, a Dona da Terra, a Senhora do planeta em que vivemos. Outros nomes da Terra-Mãe são: Aiê, Ilé, Ialé, entre outros.
Onilé é uma divindade feminina relacionada aos aspectos essenciais da natureza, e originalmente exercia seu patronato sobre tudo que se relaciona à apropriação da natureza pelo homem, o que inclui a agricultura, a caça e a pesca e a própria fertilidade. Com as transformações da sociedade Yorubá, em uma sociedade patriarcal, implicou a constituição de linhagens e clãs familiares fundados e chefiados por antepassados masculinos, com isso as mulheres perderam o antigo poder que tiveram numa primeira etapa (um mito relata que, numa disputa entre Oyá e Ogum, os homens teriam arrebatado o poder que era antes de domínio das mulheres).
Os antepassados divinizados tomaram o lugar das divindades primordiais e houve uma redivisão de trabalho entre os orisá.  As divindades femininas tiveram então seu culto reorganizado.  Vários orixás tiveram dividido entre si as atribuições de zelar pela Terra.  A fertilidade das mulheres foi o atributo que restou às divindades femininas, já que é a mulher que pári, que reproduz e dá continuidade à vida. Constituiriam-se elas  em orisá dos rios, representando a própria água, que fertiliza a terra e permite a vida, são as Iyabás:  Yemonjá, Ósún, Obá, Oyá, Ewá, e Nanã, que como antiga divindade da terra, representa a lama do fundo do rio, simbolizando a fertilização da terra pela água.

Onilé teve seu culto preservado na África, mas perdendo muitas das antigas atribuições. Hoje ela representa nossa ligação elemental com o planeta em que vivemos, nossa origem primal.  É a base de sustenção da vida, é o nosso mundo material. Embora sua importância seja crucial do ponto de vista da concepção religiosa.

Na Nigéria mantém-se viva a idéia de que Onilé é a base de toda a vida, tanto que, quando se faz um juramento, jura-se por Onilé.  Nessas ocasiões, é ainda costume pôr na boca alguns grãos de terra, às vezes dissolvida na água que se bebe para selar a jura, para lembrar que tudo começa com Onilé, a Terra-Mãe, tanto na vida como na morte.
Na África Yorubá, Onilé ocupa lugar central no culto da Sociedade Secreta Ogboni.

Louvar Onilé é celebrar as origens. Por isso, quando aparecem junto aos humanos, os antepassados egunguns saúdam Onilé, lembrando-nos que ela é anterior a tudo o mais, mesmo às linhagens  mais antigas da humanidade.
(Abimbola, 1977: 111).

Além de animais, dá-se para Onilé tudo o que a terra produz e que o homem transforma: obis, orogbôs e todas as frutas, inhame e outros tubérculos, feijões, grãos, favas,  dendê, vinho e tudo mais que vem da terra pela mão do homem.

Onilé, (a Terra) tem muitos inimigos que a exploram e podem destruí-la. Para muitos seguidores da religião dos orisá, interessados em recuperar a relação orisá-natureza, o culto de Onilé representaria, assim, a preocupação com a preservação da própria humanidade e de tudo que há no mundo. Pois é Onilé quem guarda o planeta e tudo que há sobre ele, protegendo o mundo em que vivemos e possibilitando a própria vida de tudo e todos.

A humanidade não sobreviveria sem Onilé.  Afinal, onde fica cada uma das riquezas que Ólodùmarè partilhara com os orisá ?

Tudo está na terra, disse Ólodùmarè.  O mar, os rios, o ferro, o ouro, os animais, as plantas, tudo.   Até mesmo o ar e o vento, a chuva e o arco-íris, tudo existe porque a terra existe, assim como as coisas criadas para controlar os homens e os outros seres vivos que habitam o planeta, como a vida, a saúde, as doenças e mesmo a morte.

Onilé, a dona da terra, é o orisá que representa nosso planeta como um todo, o mundo em que vivemos.  O mito de Onilé pode ser encontrado em vários poemas de Ifá.

-(Trabalho de pesquisa a vários autores e sacerdotes).


O CÂNTIGO DA TERRA
(Cora Coralina)

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda a vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste e o pão de tua casa.

E um dia bem distante a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho, do gado e da tulha.

Fartura teremos e donos de sítios felizes seremos.

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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

                          ESÚ


                                             

Òrìsá princípio do Movimento e Interligação !
É muito claro que Esú foi criado por Ólodùmarè como um Òrìsá especial de maneira tal que ele deve existir com tudo e residir em cada pessoa.

Ele é o principio dinâmico de tudo que existe.
O que é Esú ?   Esú é a energia absoluta da oportunidade!
Quando um indivíduo recebe seu Esú pessoal, está recebendo uma conexão direta a esta matriz da oportunidade. Com nosso Esú, aprendemos a nos conectar às oportunidades que abrirão a maneira de cumprir nosso destino. 

Esú é Osíwájú (o primeiro a ser cultuado), ele é o primeiro Òrìsá a ser cultuado em qualquer rito. Isso se explica devido ao seu papel de energia condutora, propulsora, recapacitadora e reconstituidora.   É graças a energia de Esú que o sangue circula em nossas veias, que o ar se movimenta, que caminhamos, que falamos; enfim sem Esú tudo estaria paralisado, estagnado, sem desenvolvimento.   Ifá diz:  se alguém não tivesse Esú em seu corpo, não poderia existir, não saberia que estava vivo.

Deixando claro também que Esú Òrìsá não tem nada haver com Exú de umbanda, tais como Tranca Ruas, Marabo etc.., que incorporam;  esses Exús  são egúns, (desencarnados), não energia de Òrìsá.

A importância de Esú está não só na manutenção de toda a estrutura filosófica do culto, como também no que se refere à existência de todas as formas de vida manifestadas a nível material e espiritual.  Esú é, na realidade, um Òrìsá de altíssima hierarquia e muitos são os seus atributos, podendo mesmo ser considerado como o alicerce sobre o qual se apóia todo o nosso sistema religioso.
Sua atuação está diretamente relacionada com as finanças, a sexualidade, o poder de fertilização e a força transformadora das coisas. É o agente que cria expectativa aos seus cultuadores,  e gera Fé.  Ele é a agilidade, e a força renovadora.  É o arquétipo da não-submissão, do protetor, da coragem, da valentia, da agressividade, da impulsividade e da resistência, próprios de seu dinamismo.

Esú é encontrado nas feiras livres e mercados, onde ele encontra tudo o que lhe dá prazer.  Ele também é Curandeiro e Mestre de Magia.  É o dono das estradas e das oportunidades.

A palavra Esú possui o sentido de esfera, que não tem princípio, nem fim.  Esú está relacionado com todos os ancestrais  femininos, masculinos e com todas as representações coletivas.  Esú é um elemento dinâmico, representante de todos os seres naturais e sobrenaturais, é a própria  representação de tudo que existe.  É o proprio movimento do Universo.

Esú é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas.  É também ele quem  intermedia as mensagens entre os homens, os Òrìsá e Ólodùmarè, através do oráculo de Ifá.  Por essa razão é que nada se faz sem ele e sem que oferendas lhe sejam feitas, antes de qualquer outro Òrìsá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos.

A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Esú está presente. Tudo começa por ele; por isso ele será sempre o primeiro.

ESÚ ESTÁ NOS PRÓTONS, NEUTRONS E ELÉTRONS, ENFIM, EM TUDO O QUE É MOVIMENTO.

No Culto Tradicional Yorubá, Esú é cultuado em uma pedra porosa chamada Yangi, e uma estatueta enfeitada com búzios; tendo em suas mão pequenas cabaças, onde leva diversos pós (asé) utilizados em suas magias.

- Trabalho de pesquisa a vários autores.



POEMA DE ESÚ

Autor :  Jorge Amado
                                                        


Não sou preto, branco ou vermelho
Tenho as cores e formas que quiser
Não sou Diabo nem Santo, Sou Esú
Mando e desmando,traço e risco, faço e desfaço
Estou e não vou, tiro e não dou, Sou Esú
Passo e cruzo, traços misturam e arrastam o pé
Sou reboliço e alegria, rodo, tiro e boto, jogo e faço fé
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher
Sou das praias, e da maré, ocupo todos os cantos
Sou menino, avô, maluco até
Posso ser João, Maria ou José
Sou o ponto do cruzamento
Durmo, acordo e ronco falando, corro grito e pulo
Faço filho assobiando, Sou argamassa de sonho, carne e areia
Sou a gente sem bandeira, o espeto, meu bastão
O assento,  o vento.
Sou do mundo, nem do campo nem da cidade
Não tenho idade
Recebo e respondo pelas pontas, pelos chifres da nação
Sou Esú, Sou agito vida, ação
Sou os cornos da lua nova, a barriga da rua cheia
Quer mais? Não dou, não tou mais aqui!




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domingo, 27 de setembro de 2015

PRINCÍPIOS YORUBÁ

 

 RELIGIÃO
  
Dentro da tradição Yorubá ,  a estrutura universal é regida por uma Divindade Suprema, Ólodùmarè,  origem única e princípio de todos os mundos , que comanda e  zela pela sua evolução.

O culto Yorubá é um culto monoteísta, pois se baseia na idéia de um Deus Supremo, chamado Ólodùmarè,  criador do Universo, bem como os Òrìsá, dando a estes a condição de auxiliadores da humanidade.  É uma religião que trabalha com as energias da natureza, que por sua vez, são as energias dos Òrìsá .  Nada é segredo, tudo tem sua resposta, sua explicação, seu porque.   Tudo a respeito do Culto Yorubá pode ser explicado, em seu devido tempo e na hora propícia. 

Identificando as forças dos Òrìsa e se alinhando com elas, aumentamos as chances para alcançarmos o nosso verdadeiro sucesso. 

Esse alinhamento se dá quando nós, seres humanos, trabalhamos a favor da natureza, com isso conseguimos com que ela trabalhe a nosso favor.

Os Òrìsa representam a personificação das forças da natureza e dos fenômenos naturais:  nascimento e morte, saúde e doença.  Tudo isso representa o poder vital, a energia, a grande força de todas as coisas existentes. 

Os Òrìsa estão inteiramente ligados a uma força da natureza que os caracterizam.   Os Òrìsa são a parte disciplinada dessas forças, a parte que é controlada para formar um elo nas relações da humanidade com o Ser Supremo.


INICIAÇÃO

Iniciar-se é possibilitar através de rituais próprios que o lado divino transpareça; é libertar o Deus Interior que existe em cada ser humano, permitindo-lhe vir a tona e provocar o impulso irresistível capaz de conduzir à realização pessoal, estabelecendo dessa maneira a mais perfeita comunhão possível com o Universo, enfim, com a própria vida, em seu pulsar infinito. Corpo físico, mente e alma são ritualisticamente preparados para a manifestação divina. 

Condições propícias são estabelecidas para que a memória ancestral possa florescer nos recessos do inconsciente, produzindo muitas vezes o transe, em suas mais variadas formas e também variados graus.

Iniciar-se é nascer de novo, renascer como indivíduo mais forte, completo, potencialmente seguro, com melhores condições para, ao abandonar medos, traumas ou bloqueios, lançar-se inteiro na busca da realização pessoal.

SACERDÓCIO

Sacerdote  é o representante do sagrado,  é uma autoridade religiosa, habilitado para dirigir ou participar de rituais sagrados de uma religião.  Eles também têm a autoridade e o poder de administrar os ritos religiosos, em especial, os ritos de sacrifício e observância de uma divindade.  Isto significa que ele é responsável por oferecer aquilo para o qual foi divinamente designado por Deus, para executar os diferentes ritos e cerimônias referentes à adoração a Deus, e ser um mediador entre o Òrìsa e o homem.

Sacerdotes são conhecidos desde os primórdios.  Eles existem em todos os ramos das religiões, como também, são geralmente considerados como tendo um bom contato com a divindade. 

O sacerdote exerce uma função de tempo integral, exigindo total dedicação e conhecimento a respeito de seu culto.  O Sacerdócio significa “dar coisas sagradas” . Esta é a grande tarefa de quem o Alto nomeou seu Ministro.

Imagine o Sacerdote como uma rocha em alto mar. Nela vão quebrar-se as vagas do sofrimento e do mal, que assolam as pessoas. A resistência da rocha faz recuarem as ondas, até que voltem, serenas, para a praia da vida cotidiana. Nenhum de nós tem em si esta força, mas é do alto que o sacerdote a recebe, como seu representante e instrumento.

Isto é ser um verdadeiro SACERDOTE!


COMPORTAMENTO E CONDUTA NO TEMPLO

Sendo o templo, um lugar sagrado, você deve se comportar de acordo com a grandiosidade de Deus.  Deve se colocar sempre em concentração , interiorizando e preparando-se para as celebrações sempre em profundo silêncio e respeito.  O templo é local previamente escolhido para encontro com as Forças Superiores.

Deve dedicar a melhor atenção a fala do Sacerdote , sem conversação, para que seja mantido o justo respeito, sem a dispersão de energias.   O silêncio favorece a ordem.  A disposição de servir, por si só, já simplifica os obstáculos.

Deve-se cultivar um tratamento mais respeitoso, revestido de maior dignidade e permanecer em estado de permanente atenção, deixando as manifestações pessoais e a euforia do encontro com os amigos, para o lado externo do Templo.

O vestuário também deve ser adequado... Da mesma maneira, como nos trajamos com refinamento e capricho para uma festa, ou para participarmos de um evento social, do mesmo modo devemos usar o melhor traje, para um encontro com a Divindade, que nos concedeu a vida.


Você é uma pessoa racional, suficientemente inteligente para compreender a conveniência de se dedicar ao CRIADOR um tratamento muito especial, não só pelo fato de você ter sido "criado " por ELE e receber DELE auxílio, inspiração e proteção ao longo de sua vida, mas sobretudo, pelo fato primordial e incontestável de que ELE é o nosso DEUS Maior.  Será que esta verdade não é bastante grande para te convencer intimamente , convidando você a deixar o comodismo de lado, esquecer o orgulho, a "pose" pessoal e a vaidade, ajoelhando com humildade,  consciente de que está na presença de Deus, pai Ólodùmarè

terça-feira, 22 de setembro de 2015

RITUAL DE SACRIFÍCIO



Tempo sacrificado não é garantia de bons resultados em nossas vidas.  Nem gastando tempo cronometrado em algo, é garantia de paz .
Quando as desarmonias são prevalecentes em nossas vidas; fomos ensinados a procurar o reino espiritual e rezarmos para implorarmos favores a Deus.  O que não aprendemos é que no reino espiritual, assim como no físico, requer algum tipo de dar para receber.

Os Yorubás acreditam em um Deus Supremo (Olodumare).  E acreditam que esse Deus criou as forças boas e as más.  Olodumare deu Asé (força) para ambas as forças e nenhum ser humano pode existir sem os dois lados.

Dentro de Ifá, o cosmos é dividido em dois lados : o lado direito, que está habitado pelos poderes sobrenaturais benevolentes, que são os Orisá,  as energias associadas a eles e a natureza, e o lado esquerdo, que está habitado pelos poderes sobrenaturais malevolentes, que são as energias destrutivas, do mau: como Ikú (morte), Arun (doença), Epe (maldição), entre outras.
Esses dois lados estão em conflitos constantes.

Os Yorubás acreditam que a verbalização de orações não é o bastante na relação com as energias sobrenaturais.
O oráculo de Ifá traz orientações preliminares a oração.  Por essas orientações podemos saber como rezar, para quem rezar e o que rezar.  Essas orientações de Ifá nos mostram qual o procedimento a fazer para elevar essa oração e qual o sacrifício a oferecer.
Existem vários tipos de sacrifícios :  tempo, canção, orikis, dança, dinheiro, transformação pessoal, mudanças de atitudes e oferecimento de força de vida, o sacrifício animal.

O sacrifício é uma tentativa de reorganizar as forças do universo de forma que elas possam trabalhar a nosso favor, trazendo paz, harmonia e força para nós e para o ambiente em que vivemos.
Sacrifício (Ebó) é uma tentativa dos seres humanos de enviar mensagens ao poder sobrenatural do universo.  Quando esse poder aceita o sacrifício, as energias começam a trabalhar a nosso favor.
Em alguns casos, são usados animais em sacrifício, para essa comunicação.  Esse animal é rezado e seu espírito encaminhado com todo respeito, para que ele seja aceito.  Assim como, os judeus rezam seus animais para purificá-los antes de sacrificá-los; e os cristão, que celebram o sacrifício humano de Cristo.
Dentro do Culto tradicional Yorubá, Ifá fala no odú Irete-Meji e Oturupon Oturá,  a proibição do sacrifício humano.
Os sacrifícios animais praticados pela religião Yorubá, além de movimentar o aşé, servem para alimentar as pessoas, uma vez que a carne é, na maioria das vezes, consumida.

Oferecer sacrifício, significa satisfazer as divindades e as forças da esquerda.  Os seres humanos não oferecem sacrifícios diretamente aos poderes da esquerda, eles oferecem a divindade guardiã, que é da direita. 
Esú, que é o mensageiro divino, sempre recebe o sacrifício e compartilha com as divindades da direita e as forças da esquerda.

A permanência do ser humano na Terra exige sacrifícios constantes. Sacrifício de tempo e de privação de alguma coisa em detrimento de outra. O sacrifício das transformações e da oferta de dinheiro obtido à custa de esforço através do trabalho; tudo girando num incessante processo que se resume em dar e receber.  As oferendas sacrificiais movimentam o aşé com o fluído vital liberado, atuando num âmbito não físico que altera situações indesejadas na vida humana.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

COMPROMETIMENTO E RESPONSABILIDADE RELIGIOSA

COMPROMETIMENTO E RESPONSABILIDADE RELIGIOSA


Não é coisa fácil explicar porque algumas pessoas submetem-se entusiasticamente à lei religiosa, as pessoas escolhem as religiões rígidas devido aos benefícios imensuráveis que sua devoção lhes proporciona, não na vida futura, mas aqui e agora.

As normas rígidas desencorajam os aproveitadores, aqueles que minam os esforços do grupo tirando proveito mais do que contribuem. Um Templo rígido é aquele no qual os membros pouco comprometidos são eliminados. Devemos avaliar nosso comprometimento, dedicação e doação ao caminho escolhido por nós.

Uma comunidade profundamente envolvida e disposta a prestar assistência mútua, é movida pela mesma força e pelo mesmo sonho.

Quando nascemos, o primeiro contato que temos com o mundo, é junto à família. De uma maneira geral, e independentemente da classe social, todos nós somos alertados sobre a existência, e as diferenças, entre o bem, e o mal.
O respeito, os valores, o aprendizado com pais e irmãos, vai despertando aos poucos, a sensação de que não somos a prioridade do mundo: apenas fazemos parte dele.Aprendemos a conviver com as diferenças, preferências, justiças e injustiças.
Neste processo, só iremos perceber o proveito que tiramos das lições que a vida nos ensina, quando tivermos a certeza de que o verdadeiro crescimento acontece principalmente, nas horas difíceis.

Ocorre que em um determinado momento da história, o ser humano começou a buscar comodidade para sua vida, sem se dar conta de que haveria um custo a ser pago num futuro próximo: preferiu acreditar que poderia construir a sua independência perante Deus: passou a querer, o Impeachment Divino!

Acabou mixando todos os valores que sustentavam o equilíbrio entre o racional
e o emocional, desregulando a balança da Natureza, provocando uma acirrada confrontação entre o sonho e a ilusão.
A busca sincera para com DEUS, passou a existir timidamente. Outras vezes, é nítida a impressão da visitação aos Templos, mais voltada a um programa de domingo, do que pela devoção espontânea e  pelo amor a DEUS.

Quem criou quem? DEUS criou o homem à sua imagem, ou foi o homem quem criou DEUS, para poder explicar tudo aquilo que lhe era e ainda é desconhecido?

Cientificamente ou filosoficamente falando, isso não interessa! O que realmente importa, é que DEUS existe, e supre para muitos, a falta de compreensão e das injustiças, através da maior força existente dentro de cada um: o Amor.


A falta de contato com a religião, cria uma distância dos valores morais, e religiosos: o sentimento de fraternidade deixa de existir. A conjugação passa a existir somente na primeira pessoa.  Por isso precisamos avaliar o que realmente importa e a até que ponto estamos realmente comprometidos com o alto e com nós mesmos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

TRINDADE DE OBATALA, ESÚ E ORUNMILÁ



A TRINDADE DE OBÀTÁLÁ, ESÚ E ORÚNMILÁ

A trindade constituída de Obàtálá, Esú e Orúnmilá exemplifica, no plano filosófico, o provérbio Yorubá em que a tríplice garante a estabilidade. No esforço para esta estabilidade filosófica o homem foi ensinado pelo oráculo Ifá a observar a retidão ética de Obàtálá, alegar o elemento imprevisível  da vida representado por Esú e confrontar os problemas com a sabedoria de Orúnmilá. Essa é a mensagem abstrata atrás dos mitos e legendas do papel da trindade recontada pelos versos de Ifá.

Este verso de Eji-Ogbe reconta o reconhecimento de status supremo de Obàtálá e o inicio discreto da trindade de Obàtálá-Esú-Orúnmilá.
“Não há águas que possam rivalizar com o Oceano na majestade.
Não há nascentes nas montanhas que possam se igualar a Lagoa em grandeza".
Assim declarou o oráculo de Ifá para Obàtálá, o Ancião dos Dias, no dia em que ele foi dotado com o poder criativo. Outras divindades exigiram um compartilhamento deste poder, exceto Orúnmilá e Esú.

No verso a seguir veremos Obàtálá conferido com o poder Criativo e veremos a rivalidade de outras divindades que queriam um pouco do poder. "Orúnmilá foi convidado para a trama, porém,  ele recusou. Esú também foi chamado, porém,  também recusou. Desta vez as divindades perderam a batalha para Obàtálá e imediatamente concederam preeminência eterna para ele".

A próxima estrofe Irete-Meji revela que a recusa de Orúnmilá e Esú para se agregar na conspiração contra Obàtálá não foi sem benefício calculado.  Desassociando-se  das outras divindades,  Orúnmilá e Esú se auto promoveram a uma co-igualdade com Obàtálá em uma Trindade.

Dois personagens:  “Emissário da Terra” e “O criador da cidade de Ifé” foram os regulares mensageiros de Orúnmilá para Olódùmarè, o Onipotente.
A mensagem para o Onipotente talvez seja “com o estado das coisas em Ifé hoje, que sacrifícios devo apontar como remédio?”
A resposta viria: “Ofereça um rato do mato.”

Atuando nestas recomendações Orúnmilá receberia bons auspícios para a cidade e tudo tornaria a ficar bem.  Mas assim que o tempo passou,  as coisas mudaram.   Quando o Onipotente disse que uma cabra deveria ser oferecida,  estes mensageiros reportaram a Orúnmilá que um cordeiro deveria ser oferecido. O sacrifício resultaria em falha. O que seria responsável por estes eventos?   Se perguntou Orúnmilá, não sendo cúmplice da traição dos seus mensageiros.  Eventualmente, a verdade apareceu, porém Orúnmilá nada disse.   Ele apenas impediu os mensageiros de enviarem ainda mais solicitações ao Onipotente.
Um dia, sem noticias, no curso normal de uma consulta  divinatória Orúnmilá de repente apreendeu os mensageiros e matou os dois.
Quando os cidadãos de Ifé descobriram a ação de Orúnmilá,  eles ficaram chocados. Como pode Orúnmilá ter matado seus mensageiros cujos recados para o Onipotente sempre trouxeram prosperidade à Ifé?  Quando Orúnmilá conseguiria substituir os mensageiro por outros melhores ou de iguais serviços?
Orúnmilá respondeu que o problema estava longe de ser simples, que a verdade iludiu os cidadãos.
Os cidadãos furiosos tornaram-se duros e no final sitiaram na casa de Orúnmilá.   Orúnmilá, os mandando para longe, se escondeu.
Os invasores irados armaram contra o estudante de Ifá de Orúnmilá chamado Imulegbe (O Adepto) e bateram severamente nele.
Eles acharam outro convidado Akale (O Protetor da Casa) e o tapearam  muitas vezes, então retornaram para Imulegbe para rasgar suas roupas em pedaços.
 Nisto, Orúnmilá apareceu para desafiar os agressores: Então não há mais respeito ou reverência por mim nesta cidade?  Vocês, cidadãos de Ifé, não prosperaram sob minha orientação?  É correto que os meus convidados sejam tão maltratados por vocês?
Em uma grande fúria, Orúnmilá deixou a cidade rapidamente, seguido prontamente de Imulegbe e Akale. Contudo, antes de deixar Ifé, Orúnmilá ordenou todos os adivinhos de lfá, incluindo os que empregam três, quatro, oito ou dezesseis búzios a recusar a consulta para os cidadãos devorantes de Ifé.   Assim, os cidadãos de Ifé iriam aprender quão fácil  é administrar seus próprios assuntos sem a orientação dos adivinhos.

Tendo deixado Ifé, Orúnmilá e seus dois amigos viajaram profundamente dentro da floresta até que chegaram “No Meio do Nada” e eles construíram três cabanas de colmo com folhas de palmeira: Uma para Akale (Codinome de Esú) e a segunda para Imulegbe, um outro nome para Obàtálá e a última para Orúnmilá.
Com a partida de Orúnmilá, a cidade de Ifé ficou engolida de problemas. Os alimentos tornaram-se escassos, mulheres grávidas sentiram as dores do parto mas não conseguiram parir; As recém casadas não conseguiram engravidar; Os homens se tornaram impotentes.  Em pouco tempo a desordem e a confusão reinaram.  Os cidadãos consultaram os adivinhos de 3,4,8 ou 16 búzios para ver como o desastre poderia ser detido mas, os adivinhos, responderam que todos os seus pedidos não poderiam ser satisfeitos uma vez que seus búzios usados para adivinhação foram completamente gastos em dias de necessidades. O que eles fariam? Onde se escondiam as soluções?
O próprio Rei de Ifé estava perplexo e perdido com as condições da cidade que só pioravam a cada dia.

Não choveu e tudo começou a ficar parado, então os cidadãos levaram os problemas mais a sério e viajaram para fora de Ifé para solicitar assistência em qualquer lugar possível.
Primeiro conheceram um adivinho cujo apelido era “Caranguejo que se arrasta em buracos no pântano longe dos habitantes aquáticos”. Ele rejeitou a consulta do Oráculo em seu nome alegando a injunção imposta a ele por Orúnmilá seu mestre que antes deixou Ifé.  ”Mas nós não sabemos onde está seu mestre” responderam os cidadãos.   “O que deveríamos fazer para sair dessa situação desesperadora?”
 Tendo pena de seus apuros o adivinho aconselhou-os a caçar um antílope e trazer para ele, depois ele os apresentaria outro adivinho. Os cidadãos cumpriram muito prontamente.  Então, eles foram despachados para outro adivinho cujo apelido era “Cor de Ouro assim como Óleo Fresco de Palmeira”, que foi esperado para levá-los até o esconderijo de Orúnmilá.  Depois de ter escutado suas predicações o adivinho exclamou:
“Isso é realmente verdade?  Oras, então vá buscar um antílope e traga-o para mim.”
Os cidadãos se aprontaram e depois de um tempo acharam um antílope o qual eles perseguiram até o alto da colina, abaixo dos pequenos vales.  Cada vez mais fundo floresta a dentro a perseguição continuou, até que os cidadãos se acharam “No Meio do Nada” quando de repente o antílope desapareceu. Procurando pelo antílope perdido, os cidadãos logo avistaram três cabanas de colmo com folhas de palmeiras.
Completamente assombrados eles disseram a eles mesmos: “Que lugar mais deserto para se escolher como habitação!  Como pode alguém morar aqui quando, em Ifé, nós estamos morrendo de fome?”
Um deles pegou uma pedra e arremessou-a em uma cabana. Saiu de lá Akale (Esú) perguntando com irritação   “Quem arremessou esta pedra em minha cabana?”
“Fomos nós” Responderam os cidadãos
“Qual é o problema  ”Exigiu Esú “,  que missão os trazem aqui?  Vocês nos proíbem de morar aqui também?”
“Ha !!“ Exclamaram os cidadãos. “Vocês, finalmente”. Eles chamaram Esú e narraram para ele a miserável condição de vida em Ifé.

“Disse Esú” Agora vocês vão retornar a Ifé e trazer os reparos por terem apedrejado minha cabana: 2 ratos do mato, 2 peixes secos e todas as outras coisas em dois.”
Eles voltaram a Ifé com a intenção de providenciar os reparos necessários.  No processo eles relataram ao Rei que havia um raio de esperança no “Meio do Nada.”

Uma certa pessoa que falou com eles exigiu reparações deles. O Rei respondeu que suspeitava de que Orúnmilá também estivesse na companhia de seu interlocutor. Os cidadãos deveriam retornar para a floresta com as reparações requeridas e relatar os desenvolvimentos. Entretanto, antes dos cidadãos retornarem, Akale (Esú) foi ao encontro de Orúnmilá.

“Há um desenvolvimento interessante”, ele disse.”Um dos cidadãos de Ifé que veio aqui apedrejou minha cabana.  Eu me retirei, ouvi seus contos de aflição e antes de prometer qualquer coisa eu ordenei reparações pelas suas transgressões. O que nós faremos se eles voltarem com as reparações?”

Orúnmilá levou consigo Esú para relatar a situação para Obàtálá, que é chamado de Elegbe(O Adepto)
Desta vez Orúnmilá disse:

“Obàtálá, por favor escute.  Esú acabou de me contar que os Cidadãos de Ifé vieram aqui, e sua história é cruel, muito cruel. O desastre é iminente a não ser que façamos algo para ajudar.”
Obàtálá respondeu: “Realmente!  Mas você sabe, Orúnmilá, que desde o nosso exílio aqui eu fechei as comportas de chuva.  Nenhuma gota irá cair na terra até que o mundo todo seja destruído. Eu não vou escutar  nenhum apelo.”
Apesar de muitas tentativas de Orúnmilá e Esú,  Obàtálá se recusou a mudar de idéia.
Foi quando Orúnmilá disse essas pesadas palavras:
Obàtálá, você deve retornar ao seu trabalho:
O ferreiro molda o ferro uma e outra vez
Até estar reto e perfeito
O barbeiro ainda não terminou o seu trabalho
Até que atrás e os lados não estiverem aparados
Você deve retornar ao seu trabalho interminável
Gerações de reis reinaram na terra
Mas ainda não vi um que rivalize este
Que rivalize Obàtálá, Rei de todos os Orisá
Real Artífice da Perfeição
Que veio do céu mas que localizou sua casa terráquea na cidade de Iranje
Ele sozinho tem o poder de fechar os portões da chuva
Ele sozinho criou a cúpula branca do céu
Ele criou as espécies de rato para durar para sempre
Ele criou as espécies de peixes para durar para sempre
Ele criou as espécies de pássaros para durar para sempre
Ele criou as espécies de feras para durar para sempre
E ordenou que a espécie do homem nunca fosse destruída.
Perplexo nestes elogios sutis, Obàtálá respondeu:
“Na verdade, Orúnmilá, na verdade você recontou muita história.
Nada mais resta a não ser aceitar seus apelos”

Conseqüentemente quando os cidadãos de Ifé voltaram com as reparações, Orúnmilá perdoou-os, Obàtálá perdoou-os e Esú perdoou-os. Com as reparações, um sacrifício de indenização foi cumprido.

Acerca disso os três adivinhos e os cidadãos voltaram a Ifé dançando e alegrando-se de que a cidade fora salva do desastre.
Daquela vez a cidade de Ifé se expandiu em várias direções até que englobou todo o mundo.


  OBÀTÁLÁESÚ E ORÚNMILÁ

OBÀTÁLÁ

O Orisá de paz, harmonia e pureza. Ele é o pai da maioria dos orisá e o criador da humanidade. Ele é o dono da criação. Ele representa claridade, justiça e sabedoria. Tudo o que é branco na terra pertence a ele: a neve, as nuvens brancas, os ossos, o cérebro, o algodão.  Obàtálá é o sol e é também a chuva que cai para fertilizar a terra.  É o dono da argila e da criação, onde molda os seres humanos em barro.
"o grande orisá", ocupa uma posição única e inconteste do mais importante orisá e o mais elevado dos Deuses Yorubás.
Senhor do silêncio, do vácuo frio e calmo, onde as palavras não podem ser ouvidas.  Pode ser lento como um caramujo, todo de branco como seu ritual exige, e também ser enérgico e guerreiro, em todas as versões, é Obàtálá ,  o rei do pano branco.


ESÚ

Esú foi criado por OLÓDÙMARÈ como um Orisá especial de maneira tal que ele deve existir em tudo e residir em cada pessoa. Foi dessa matéria primordial e divina da qual, posteriormente, ele fez todos os Orisá.  Assim, Esú é o primeiro ser criado.
Esú é conhecido como "Esú Agbá”, o Ancestral primordial, e seus assentamentos mais antigos e tradicionais eram simples pedras de laterita vermelha.  Esú é por excelência o símbolo da existência diferenciada e, em conseqüência disso, o elemento dinâmico que leva ao movimento, à transformação e ao crescimento.  Ele é o principio dinâmico de tudo que existe e do que virá a existir.   Esú é a energia absoluta da oportunidade!
Esú é o primeiro a ser cultuado, e isso se explica devido ao seu papel de energia condutora, propulsora, recapacitadora e reconstituidora.  Sem Esú, tudo estaria paralisado, estagnado, sem desenvolvimento.
É Esú quem faz cumprir o equilíbrio de tudo que existe. É o equilíbrio que permite a multiplicação e o crescimento.


ORÚNMILÁ
 Orúnmilá é o Orisá Senhor da sabedoria e do conhecimento, que tendo adquirido o direito de viver entre o céu e a terra, tudo sabe e tudo vê na totalidade dos mundos, transcendendo espaço e tempo.
Foi testemunha da criação universal e detém o conhecimento do passado, presente e futuro do destino de todos os habitantes da terra e do céu.
Na Terra, Orunmilá é quem apresenta o destino ao reencarnante por ocasião da seu nascimento .  Conhece todos os destinos e como propiciar o sucesso em todos os âmbitos, além de revelar o Orisá pessoal de cada um.
Orúnmilá é a soma da sabedoria suprema, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens.  É o equilíbrio que ajusta a força que conduz a sustentação do planeta.   Orúnmilá representa a antiga sabedoria do Culto Yorubá. 
Uma modalidade orácular mais popular é o Opelé Ifá.  Apenas sacerdotes iniciados no culto de Orúnmilá - os Oluwo Ifá e Babalawo – são credenciados para utilizar esses oráculos.   Todo o corpo filosófico da religião yorubá se resume nos signos de Ifá